
Legenda: O brilho da taxa fixa escondendo o buraco do custo de oportunidade
O Diário do Investidor 9 de Janeiro de 2026
Há seis meses, o consenso dos “gurus” de YouTube era unânime: “Travem as taxas! Comprem Prefixados a 11% ou 12% porque a Selic vai cair para um dígito em 2026!”.
Hoje, 9 de janeiro, a realidade bateu à porta. A inflação de serviços se mostrou teimosa, o risco fiscal aumentou e o Banco Central manteve a Selic em dolorosos 15% ao ano.
Quem seguiu a manada e comprou o título Prefixado achando que fez o negócio do século, hoje olha para o extrato e vê um fenômeno cruel: a desvalorização do patrimônio ou, no mínimo, um custo de oportunidade brutal.
Se você está pensando em aportar em um CDB ou Tesouro Prefixado hoje, pare. Você está prestes a cometer um erro clássico de alocação: brigar contra a taxa básica de juros.
O Mecanismo da Perda: Marcação a Mercado
Para entender por que o Prefixado é perigoso agora, você precisa entender a regra número 1 da Renda Fixa: Quando os juros sobem (ou ficam altos), o preço do título antigo cai.
Imagine que você comprou um papel que paga 12% ao ano. Hoje, o mercado está emitindo novos papéis que pagam 15% ou 16%. Quem vai querer comprar o seu papel “velho” de 12%? Ninguém. A não ser que você dê um desconto enorme no preço.
Isso se chama Marcação a Mercado. Se você precisar vender seu título Prefixado hoje para cobrir uma emergência, você sairá com prejuízo, mesmo sendo “Renda Fixa”. Em um cenário de Selic a 15%, quem tem taxa de 12% está carregando um ativo “podre” na carteira.
Pós-Fixado: O Rei Voltou
Por que correr o risco de travar uma taxa se o risco-livre (o chão da economia) está pagando 15%?
Em janeiro de 2026, a estratégia mais inteligente e segura é a mais simples: Surfar o CDI. O Tesouro Selic e os CDBs de liquidez diária (Pós-fixados) estão entregando uma rentabilidade bruta de 1,17% ao mês, sem volatilidade negativa.
- No Prefixado: Você torce para a economia piorar (juros caírem) para ganhar dinheiro.
- No Pós-Fixado: Você ganha 15% agora. Se os juros subirem mais, você ganha mais. Se caírem, você já acumulou gordura.
É uma questão de assimetria. Com o cenário fiscal de 2026 ainda incerto e eleições no radar, apostar que os juros vão desabar rápido é otimismo demais. E o mercado financeiro cobra caro por otimismo infundado.

Legenda: A gangorra dos juros: quando a taxa sobe, seu título desce
E o IPCA+? (A Terceira Via)
“Dr., mas e se a inflação explodir?” Aí entra a única trava que recomendamos: IPCA+. Diferente do Prefixado puro (que tem um teto de ganho), o IPCA+ não tem teto. Se a inflação for a 10%, ele te paga 10% + Juro Real.
O erro é o Prefixado Puro. Ele não te protege da inflação e não te paga o CDI atual. Ele é o pior dos dois mundos no cenário atual de incerteza.
Conclusão: Não Seja “Teimoso”
Se você já tem Prefixados na carteira comprados a taxas baixas, a recomendação técnica geralmente é: Leve até o vencimento (se puder). Se vender agora, realiza o prejuízo.
Mas se você tem dinheiro novo entrando hoje (bônus, salário), não tente adivinhar o topo dos juros. Aceite os 15% do CDI com gratidão. Em tempos de guerra fiscal, liquidez e rentabilidade de dois dígitos sem risco de mercado são um luxo que poucos países oferecem. Aproveite enquanto dura.

Legenda: A tranquilidade de ver o patrimônio crescer sem sustos
